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Belo Horizonte - 06 de abril de 2012
Sexta-feira - 11h00min

Papagaios e Juristas: uma questão de reflexão.

Sexta-feira da paixão. Que beleza! Dia de refletir sobre o amor, o sacrifício, a gratidão e a vida.

-(leitor[a]) – Ué, Bigus. Não vai falar de direito hoje não?

Talvez. Mas só se você me deixar terminar de começar.

-(leitor[a]) – Cruz credo! Não seja sem educação assim não. Sexta-feira da paixão é dia de amar o próximo.

Tem razão, amor de leitor. Mas como eu ia dizendo, hoje é dia de reflexão; esse ato prosaico de pensar, repensar, questionar, tentar entender e relacionar as idéias umas com as outras. E é disso mais especificamente que quero tratar nesta postagem. Quero teclar o um pouquinho sobre o ato de refletir.

-(leitor[a]) – Óóóóóóóóóó´!

Pois é. E é uma postagem bem direcionada aos meus alunos.

Isto porque tenho iniciado, por estes dias, a fase das primeiras avaliações do semestre. E o resultado é que tenho percebido, como de costume, que grande parte dos alunos só passa a ter contato com a bibliografia às vésperas das avaliações, e unicamente com o objetivo de prestá-las. Consequentemente, na medida em que se dedicam apenas ao estudo voltado para a resolução de provas específicas, tão somente se desdobram para fixar (memorizar, guardar) os conteúdos. E assim o esforço discente para o aprendizado fica restrito a um "exercício" de fixação.

-(leitor[a]) – E isso não é "bão" não?

É melhor do que nada, mas não é muito mais do que isso.

O primeiro problema de estudar assim é a chance de "pegar raiva" da matéria. Isso porque o trabalho de memorização de regras e conceitos cansa e dói. E talvez seja a “parte” mais exaustiva de todo o estudo jurídico em nível de graduação. De tal modo que quem só estuda às vésperas das provas com intuito ad hoc, muito provavelmente não “morrerá de amores” pela disciplina ou conteúdo. E o que é pior. O sujeito que apenas memoriza as regras e conceitos tão somente será capaz de reproduzi-los, repeti-los, papagaiar-los.

E por isso é essencial perceber, tal como demonstrado na foto ao lado, que entre juristas e papagaios há uma ligeira diferença.

-(leitor[a]) – Gostei dos óculos do papagaio.

O que?! Como é que é?!

-(leitor[a]) – Brincadeirinha, Bigus. Esse ai da foto eu conheço. É um grande amigo meu; Rudolf Von Ihering, nascido em 1818, autor do clássico A Luta Pelo Direito, e muito, muito chegado mesmo do povo lá de casa. ;o)

Muito bem. Parabéns! Agora sou eu quem diz: Óóóóóóóóóó´! Não é todo mundo que consegue perceber a diferença. O papagaio apenas fixa algumas frases, e talvez até possa repeti-las. O jurista, por sua vez, pensa sobre aquilo o que assimila. E assim é que papagaios e juristas não se confundem.

A "moral" desta postagem, portanto, é alertar para a necessidade de pensar acerca dos assuntos estudados. A necessidade de, após a fixação dos conteúdos, trazê-los de volta à mente e escrutiná-los.

Não é a minha pretensão, em uma postagem de blog, "ensinar" a refletir. Até mesmo porque não estou certo da viabilidade de uma coisa dessas. O máximo que eu já consegui foi expor (transmitir) reflexões, e às vezes refletir em conjunto. Ensinar a pensar está além da minha alçada. O que eu sei é repetir que isso é muitíssimo importante, convocar todo mundo a pensar junto, e ameaçar os que "não pensam" com um inferno muito pior que o de Dante.

Não há saída. Fixação de conteúdos sem reflexão é como a preparação de uma massa que não será levada ao forno. Simplesmente não vai rolar o bolo.

Eu sei que as pessoas trabalham o dia todo, cuidam de filhos e têem todo o tipo de problemas e responsabilidades. Até aquele sujeito que passa o dia jogando videogame deve ter que bater o recorde e passar de fase. Todo mundo está enrolado até o pescoço. Não existe outra saída, contudo.

-(leitor[a]) – Credo Bigus, uma ameaça dessa em plena semana santa!?

Isso não é uma ameaça, assim como a lei da gravidade não é uma ameaça, senão para quem pretenda pular do penhasco e sair voando.

Mas há algo de bom em tudo isso. A reflexão não é apenas essencial, é também a parte mais fácil, quiçá prazerosa, do esforço de aprendizado. Basta a vontade de continuar pensando criticamente no assunto.


Refletir é pensar. É aquele tipo de coisa que se pode fazer andando, sentado, deitado, na rua, em casa, no ônibus, no carro, ouvindo musica ou qualquer outra coisa como, por exemplo, futebol no rádio. Eu mesmo; quantas vezes já não estive refletindo, refletindo, refletindo até que de repente o Galo vai lá e toma faz um gol?! Já perdi até a conta.

Para pensar não é preciso posição e nem lugar. Não é preciso conexão nem eletricidade. Basta dar prioridade mental a um assunto; no caso, aquele previamente estudado e fixado.

Concluindo, quero dizer que entre juristas e papagaios a diferença não está nas penas. Juristas há que são mais emplumados até do que pavões.

-(leitor[a]) – Ô Bigus... então boa páscoa, bom fim de semana, e em homenagem à essa postagem sua mandando a gente pensar eu vou até adotar um novo lema.

Ó! Muito obrigado. Boa páscoa para vocês também. Mas antes de irmos, diga lá: que lema seria esse?

-(leitor[a]) – É o seguinte:

“Ão, ão, ão!!!

Nosso forte é a rima!!!

(...)

E a reflexão!!!”

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