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Belo Horizonte - 14 de maio de 2011
Sábado - 15h22min


Ides vós. Considerações sobre a Defectividade do Verbo Falir.

Esta é mais uma daquelas postagens que estou devendo há algum tempo. Especificamente neste caso, trata-se de um assunto cujo endereçamento prometi em sala de aula, mas que a correria desenfreada tem me impedido de cumprir; até agora.

Chega de “enrolação”, é hora de tecer algumas considerações sobre um aspecto não tratado nos livros jurídicos da disciplina, mas do qual é impossível escapar, qual seja: o verbo falir e sua defectividade.

O verbo falir é um verbo defectivo.

-(leitor[a]) – Como assim, defectivo?? Isso significa que ele tem algum defeito?

Não, isso significa que você é quem tem algum defeito. Prossigamos.

Defectivo é o verbo cuja conjugação seja incompleta, isto é, que não possa ser conjugado em todos os tempos, pessoas e modos. Em regra, podem ser conjugados apenas em suas formas arrizotônicas (aquelas em que o acento não recaia sobre o radical).

Diversas são as causas que levam a esse fenômeno, mas no caso do verbo “falir” trata-se de um meio para coibir a confusão entre os verbos “falar” e “falir” (tal como haveria na primeira pessoa do indicativo: eu “falo”). O "problema" é que essa solução acaba por suprimir conjugações de um verbo em favor de outro. E como o povo gosta é de falar, e não de falir, a opção acabou se dando em detrimento deste último verbo.

Abaixo tomei a liberdade de reproduzir uma tabela com a conjugação do verbo falir, tal como disponível na Wikipédia:

-(leitor[a]) – Já sei, vou usar, ao invés de "falir", o verbo "quebrar" tal como previa o Código Comercial Brasileiro em sua parte terceira; "Das Quebras".

É... Mas o problema é que o verbo "quebrar" tem o caráter de transitivo direito. Quem quebra, quebra alguma coisa.

-(leitor[a]) – Mas existe um uso popular, Bigus, tal como na frase "a geringonça quebrou". E neste caso o verbo quebrar pode ser tomado por intransitivo.

Huuummm... Pode ser. Mas ainda assim, se alguém disser "eu quebrei", ou "ele quebrou", só em um contexto "muito falimentar" é que o sujeito a quem a frase se destina irá entender o significado.

Eu, humildemente, e de acordo com meu próprio gosto, prefiro valer-me do tradicional "eu vou à falência", ou, ainda, "que eu vá à falência".

Se bem que... eu não...
Ides vós, ou que "vós vades à falência"; Assim é que fica melhor.

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