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Belo Horizonte - 27 de fevereiro de 2011
Domingo - 20h40min


A crise na Líbia e o que se pode esperar do Brasil.

Nós, os brasileiros, que vivemos décadas de uma ditadura militar apoiada pelos Estados Unidos da America do Norte, e que, graças a Deus, nunca fomos ocupados pela União Soviética, por Roma, por Israel, pelos Otomanos ou algo que o valha, tendemos a relacionar imperialismo com Norte América.

A despeito de nosso passado colonial, e dos séculos de pintura e bordados portugueses no Brasil, não vemos Portugal como um país que ainda queira impor-se. Pelo contrário, mais provável é que os portugueses nos temam, tal como parece demonstrar a resistência lusa ao acordo ortográfico.

Ao nosso gosto, imperialistas e intervencionistas são os Ingleses e os Norte Americanos. E é por isso que, em um momento desses, em que, na Líbia, o famigerado Muammar Abu Minyar al-Gaddafi (Khadafi, al-Gathafi, Kadaffi) pratica crimes contra a humanidade, voltamos as atenções a estes países de tradição intervencionista à espera de alguma providência.

Mesmo o mais anti-imperialista dos esquerdistas, em uma hora dessas, torce para que a ONU, a OTAN, a Liga da Justiça, o Conselho Jedi, alguém faça alguma coisa. E eu concordo. Mais ainda se a proposta for a de uma intervenção Jedi na Grande Jamahiriya Árabe Popular Socialista da Líbia.

A questão que quero levantar, contudo, não é esta. O que quero dizer é o seguinte: ainda que legitimamente cobremos providências e posturas dos organismos internacionais, não temos o costume de exigir posicionamentos do governo brasileiro. E deveríamos.

A presidente Dilma bem podia condenar, publicamente, a resposta dos Gaddafi aos protestos populares. O Brasil deveria fazer alguma coisa.

-(leitor[a]) – Ahhhh Bigus!!!! Paaaara!!! E o que é que o Brasil vai fazer numa hora dessas? De que adianta o Brasil entrar nisso? Vamos enviar um esquadrão de Super Tucanos para lançar paraquedistas do BOPE no deserto do Saara?!?!! Pare com isso!!!

Não é disto que se trata. Eu não defendo operações militares intervencionistas no estilo G.I. Joe, senão para desalojar piratas na Somália. Mas também não é certo subestimarmos o peso do Brasil no caso. Afinal, os brasileiros que fugiram da Líbia não eram turistas. Estavam lá a trabalho. O Brasil tem empresas em operação naquela “comarca”, tem relações comerciais e políticas não só com a Líbia, mas com boa parte da África. E agora é chegada a hora de usar estes poderes “para o bem”.

Obviamente, há quem discorde. O vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto Castro, por exemplo, acha importante que a presidente não se manifeste. Para ele, "se a Dilma não se intrometer em questões políticas entre os países será mais benéfico. No momento, quanto mais quietinho o Brasil ficar, será melhor”. E este parece, mesmo, ser o entendimento do próprio governo. Na ONU, contudo, a coisa tem andado.

Em fevereiro a presidência do Conselho esteve à cargo do Brasil, e no dia 22 a presidente Maria Luiza Ribeiro Viotti, mineira de Belo Horizonte, soltou “release” para a imprensa “chamando o Gaddafi na xinxa”. AInda assim, ao que parece, não foi o suficiente para deter o maluco, o destrambelhado (assassíno, torturador), que se impõa ao povo Líbio.

Se a Dilma estiver “sem assunto” quanto a isso, se o objetivo for facilitar a vida das empresas, "tudo bem"; é compreensível que Presidente e Ministros não se manifestem. A delegação brasileira na ONU, contudo, não deve ter uma licença dessas.

Se é que o Brasil pretende uma cadeira permanente no Conselho, tem que saber manobrar não só com vistas à política, mas também aos valores.

As crises nos dão oportunidade de mostrar a que viemos. E assim como espero contar com todos os imperialistas em defesa do povo líbio (e não do petróleo líbio), também espero que a delegação brasileira na ONU não deixe os líbios na mão.

Em linguagem duplamente figurada, esta é a hora de sentar a pua para que a cobra siga fumando.

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