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Belo Horizonte - 16 de janeiro de 2011
Domingo - 17h48min


Minas Gerais e a Maldição do senador sem Voto.

Com a morte do Senador Eliseu Resende (PFL-DEM), eleito em 2006 com 60,89% dos votos dos válidos, o Estado de Minas Gerais voltou a ser assombrado pela Maldição do senador Sem Voto, ou, em outras palavras, do suplente que, ao assumir a posição deixada pelo titular sem herdar-lhe a legitimidade, aprofunda o sentimento de alienação popular.

-(leitor[a]) Pô Bigus, mas o Clésio nem assumiu e você já está “descendo o bambu” nele?

Não é nele, ainda, embora já mereça. Por enquanto estou me queixando é deste sistema, que nos impõe senadores de meia tigela, sem a autoridade nem a legitimidade que, em tese, um Senador de verdade deveria ter.

E mais ainda porque essa maldição, aqui em Minas, se mantém. Senadores Mineiros, por vontade ou fatalidade, são pródigos em não cumprir os mandatos. Tomemos o exemplo das três eleições que precederam a de 2010, que ainda é muito recente (1998-2002-2006).

Em 1998 foi eleito o José Alencar (PMDB), com 48,19% dos votos válidos, mas abandou o dever para se tornar vice do Lula em 2002. Desde então o senador sem voto por Minas passou a ser o .... o.... séra que você sabe???

- O leitor olha para cima, assobia e finge que não é com ele

Aelton José de Freitas

Pois é... Assumiu aquela vaga de Minas no Senado o Excelentíssimo Sr. Aelton José de Freitas.

E por isso pergunto. O leitor saberia dizer de qual partido ele era ou é? Ou, ainda, se estaria vivo ou morto? Sem o Google, o que saberíamos dizer deste senador sem voto que ocupou a vaga de 2003 a 2007?

Não sejamos assim tão injustos, o Aelton é um político da Região de Iturama, foi prefeito lá e tem a sua base, que depois de sua saída do Senado já lhe deu dois mandatos para a Câmara dos Deputados. Mas, convenhamos, afora uma minúscula parcela dos votos que elegeram José Alencar, ninguém em 1998 votou em Aelton para o Senado.

Avancemos para o buraco.

Em 2002, para a tristeza geral da nação, Minas elegeu Eduardo Azeredo (PSDB) e Hélio Costa (PMDB), respectivamente com 25,91% e 22,24% dos votos.

Ainda me pergunto se teria sido melhor que Eduardo Azeredo fosse substituído pelo suplente, mas fato é que cumpriu o mandato até o fim. Hélio Costa, contudo, abandonou a vaga para tornar-se Ministro do governo Lula, deixando o Senado nas mãos do financiador de sua campanha, o Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB).

Wellington Salgado Ozzy Osbourne

Sim, o mesmo que depois defenderia, com unhas e dentes, os senadores Renan Calheiros e Sarney, além da prática de outras proezas que não lhe permitiram manter-se em um relativo, porém seguro, anonimato.

Tão representativo foi este senador que, ao fim de seu mandato, não logrou eleger-se nem mesmo Deputado Federal. Prova cabal de que Minas Gerais ficou, de 2005 a 2010, sem representação completa, senão formal, no Senado Federal Federal.

Por fim, em 2006 foi eleito o Senador Eliseu Resende (PFL-DEM), com 60, 89% dos votos. E Eliseu mudou a regra. Não que desta vez Minas Gerais fosse escapar da Maldição; mas sendo de oposição ao governo federal, Eliseu Resende não foi convocado por Lula, mas por Deus (o que, para algumas pessoas que eu conheço, é como se fosse a mesma coisa).

Clésio Andrade

E assim somos brindados com o nosso novo senador sem voto: o Sr. Clésio Andrade (PR). Não é o caso, nesta postagem, de criticar o novo senador por Minas, escolhido que foi diretamente por Deus (isto foi uma ironia).

Ainda que ele já tenha dado declarações totalmente contrárias à da plataforma que o elegeu, o que quero destacar aqui não é o usurpador, mas a aparente existência de alguma espécie de Maldição que induz a usurpação.

-(leitor[a]) Credo Bigus!! Um dia você vem com a teoria da conspiração, e no outro vem com essa história de maldição. Para onde é que nós vamos?!

Bem observado, a conspiração existe, e eu até pensei que fosse o caso.

Primeiro eu desconfiei de alguma espécie de acordo entre o pessoal do Lula, o PCdoB e a CIA, no sentido de esvaziar o Estado no Senado e entregar o governo de Minas e da Capital (Belo Horizonte) ao PMDB.

Mas com a morte do Eliseu eu estou percebendo que existe algo maior do que isto. Penso até que duas uma: ou isso é uma Maldição ou, se for apenas uma conspiração, então a Constituição da República Federativa do Brasil deve estar envolvida.

A maldição, contudo, não nos dá alternativas, e permite até mesmo prever o futuro. Dos Senadores Eleitos por Minas (Aécio/Itamar), um dos dois ou irá para o governo, ou então passará desta para melhor.

E assim virá o próximo senador Sem Voto da República. O que, por outro lado, me faz questionar se os antepassados dos Mineiros não teriam jogado pedra na Cruz ou algo parecido.

-(leitor[a]) Putz..... se eu soubesse disso eu não teria votado no Itamar.

Pois é... a outra alternativa seria o Aécio presidente.

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