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Belo Horizonte - 15 de agosto de 2010
Domingo - 19h20min

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Nem que a vaca tussa: Newton Cardoso/PMDB-MG para Deputado Federal.

Atendendo ao pedido de meu amigo Pedrão, volto a tratar dos candidatos nos quais eu nunca votaria, nem mesmo em condições extraordinárias. Hoje, contudo, escrevo para "chover no molhado", e repetir aquilo o que todo mineiro já sabe: Newton Cardoso e a "res publica" são coisas que não combinam.

É por isso que a referência ao ex-governador Newton Cardoso/PMDB-MG me parece inócua, feita, assim, só para constar e não deixar passar em branco. Afinal, o “Malufão” mineiro é muitíssimo bem conhecido de todos nós, e nada do que eu possa escrever aqui será novidade para ninguém. Talvez, portanto, eu nem devesse escrever nada.

Acontece que tenho visto, quase diariamente, um(a) cartaz/faixa da candidatura do “Newtão”, afixada em uma casa, possivelmente um comitê de sua candidatura, localizada na Rua Conde de Linhares, em Belo Horizonte (foto ao lado), por onde passo praticamente todos os dias no caminho de casa para a escola e para o escritório. De tanto ver esse material de campanha, achei por bem deixar aqui registrado: NEM QUE A VACA TUSSA Newton Cardoso para Deputado Federal.

-(leitor[a]) É, Bigus, você é ranzinza. Qual o motivo disso? Só porque o material de campanha dele ousou cruzar o seu caminho?

Inclusive, mas não só por isso. E para você que me lê da China, da Lua, e nunca ouviu falar deste candidato, explico o motivo de minha rejeição. E mesmo podendo arrolar uma série de discordâncias quanto a vários de seus posicionamentos políticos, atenho-me a algo simplório, porém fundamental: lisura.

Eu não consigo votar em um candidato que declara à justiça eleitoral um certo patrimônio, quando, em verdade, tem bens em montante duzentas vezes superior. E foi exatamente o que veio a público por meio da revista veja, que teve acesso aos autos do processo de separação litigiosa de newton cardoso, em que constava a referida informação.

"No processo, que tramita em sigilo na Justiça de Brasília, a deputada expôs muito mais que a intimidade do casal. A ação descreve de forma minuciosa a fortuna que o político mineiro de resultados amealhou e se esforçou para esconder. Na ação, o patrimônio de Newtão é estimado entre 2,5 e 3 bilhões de reais. O valor é 200 vezes maior do que o que o ex-governador declarou à Justiça Eleitoral há dois anos e vinte vezes superior a uma estimativa feita por VEJA há sete anos com base em informações de cartórios e juntas comerciais. A deputada sustenta que seu ex-marido é dono de 100 fazendas e diz ter documentos que provam suas afirmações em 70% dos casos. Segundo ela, seu ex-marido também teria dezesseis empresas no país, seis sediadas em paraísos fiscais, uma praia na Bahia, aviões, dezenas de carros e de imóveis, entre eles apartamentos em Nova York e Paris. Na capital francesa, Newtão teria até um hotel, o Résidence des Halles, um três-estrelas situado nas imediações do Museu do Louvre.

A deputada confirma muito do que já se sabia sobre como o ex-governador conseguiu esconder sua fortuna. O recurso mais frequente foi montar holdings empresariais e atribuir às subsidiárias delas a posse de seus bens. Com isso, Newtão dificultou o rastreamento de seu patrimônio. Outro mecanismo foi abrir empresas em paraísos fiscais, que mantêm os nomes dos acionistas em sigilo. O ex-governador fez isso para esconder, por exemplo, uma participação que tinha na mineradora Magnesita, líder na produção do mineral de mesmo nome, que é usado na produção de aço. Newtão negou ser sócio dessa mineradora até agosto do ano passado, quando ela foi vendida. Descobriu-se, então, que ele detinha 28% do seu capital. "

-(leitor[a]) Bigus, mudando só um pouquinho de assunto: pessoal ardiloso esse da Veja, "né não"? Pensei que não fosse certo divulgar informações de processos de separação e família que correm sob segredo de justiça.

Pois é, leitor(a), nisso você pode ter razão. Que o diga, aliás, aquele menino, Sean Goldman. Mas o então juiz titular da 4ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, Jaubert Carneiro Jaques, julgou improcedente o pedido de indenização, por danos morais, que Newton Cardoso moveu contra a Editora Abril em razão do caso.

Ou seja, o juiz entendeu que as informações eram de relevante interesse público, e que teriam sido publicizadas também por declarações públicas da esposa e do próprio marido. Mais uma vez cito a fonte:

"De acordo com a sentença, a discordância de valores do patrimônio do ex-governador é um fato inexplicável, tendo em vista as palavras da ex-mulher do político, e reiteradas por ele próprio. Em coletiva para a imprensa, disse que seu patrimônio ultrapassa a marca dos R$ 3 bilhões, enquanto declarou à Justiça Federal em 2006 apenas o montante de R$ 12,7 milhões."

Deus me livre de discutir a vida pessoal de alguém aqui neste espaço. Não quero nem saber das questões que envolvem o casal. O que não dá para aceitar, contudo, é político que esconde a fortuna de maneira nebulosa.

Nesse eu não voto NEM QUE A VACA TUSSA.

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